JANUSZ KORCZAK – Uma vida exemplar

JANUSZ KORCZAK – Uma vida exemplar

Henrik Goldszmit, nasceu em Varsóvia (28/07/1879) e morreu no campo de concentração de Treblinka em Agosto (?) de 1942. Adoptou o nome de um personagem de um conto de Kraszewski, Janasz Korczak (que um erro tipográfico transformou em Janusz).

          Iniciou os estudos de Medicina na Universidade de Varsóvia em 1898.

Ainda jovem começou a mostrar interesse, e a intervir, em projectos de alcance social, de relações no trabalho, direitos das mulheres, condições sanitárias e, sobretudo, relacionadas com a saúde e desenvolvimento das crianças. Este viria a ser o foco principal de toda a sua actividade.

Em 1905 acabou o Curso de Medicina e foi mobilizado para a frente de guerra entre os Impérios Russo e Japonês. Acabada a guerra, foi estudar para Berlim (1907) e Paris (1909). Depois destas formações, publicou vários trabalhos relacionados com a saúde infantil ( escalas de desenvolvimento, e importância do aleitamento materno).

Foi novamente mobilizado aquando da Grande Guerra (1914-18), tendo sido responsável por uma enfermaria na frente ucraniana. A situação das crianças vítimas do conflito, levou-o a criar em Kiev, em 1917,  um abrigo para crianças abandonadas.

A partir daqui a sua actividade como médico torna-se quase secundária, centrando as suas preocupações nos aspectos educacionais. Dizia que a única forma de mudar o mundo era através da educação. ”O médico só pode curar a pessoa mas não é certo que a torne uma pessoa melhor”. E são as experiências pedagógicas, de sua autoria, ou de novas correntes que vão aparecendo, que vão ocupar por completo a sua vida.  Defendia a necessidade de darmos atenção aos pensamentos, emoções e experiências das crianças. O seu programa baseava-se no princípio de que as crianças devem ser totalmente compreendidas, que devemos procurar entrar no seu mundo, na sua psicologia, mas, sobretudo, que devem ser respeitadas e amadas como iguais. “As crianças não são a gente do futuro, porque já são gente”, era o seu lema.

          Para Korczack, a principal diferença entre as crianças e os adultos era no campo das emoções, e, por isso, é importante conhecer este domínio para participar nas suas experiências.

          No campo do ensino, ele criticava a aprendizagem centrada no livro, os currículos que não levavam em conta a vida real e o excessivo formalismo e distância entre alunos e professor. Defendia uma escola atractiva para as crianças, parceira dos pais e restante sociedade na sua educação. O desenvolvimento destas não era possível sem condições de vida aceitáveis no que diz respeito à habitação, alimentação e higiene. As crianças que estavam institucionalizadas teriam que sentir, tanto quanto possível, um ambiente parecido. E era isso que fazia nas instituições que criou e dirigiu. Aqui desenvolveu projectos de participação das crianças na gestão, resolução de conflitos, divisão de tarefas, entreajuda (os mais velhos tinham obrigações bem definidas para com os mais novos). Korczak defendia que, se as crianças participassem na elaboração das regras, aceitá-las-iam melhor, porque as compreenderiam.

          O seu trabalho com crianças começou ainda como estudante de medicina, colaborando em campos de férias para crianças judias, tendo dirigido o primeiro orfanato a partir de 1912. Viu o seu trabalho interrompido pela Grande Guerra, mas logo o retomou, orientando instituições que recebiam crianças vítimas da guerra.

Em 1939 dirigia um orfanato em Varsóvia quando começou a 2ª Guerra, vendo o seu trabalho muito dificultado pela necessidade de mudar de local várias vezes, até ser integrado no gueto de Varsóvia, onde, com todas as dificuldades que se imaginam, continuou a lutar pelo objectivo de proporcionar às crianças as melhores condições possíveis.

          Em 4 de Agosto de 1942 escreve no seu “Diário do Gueto”:

“Pai Nosso que estás nos céus…

Esta prece esculpida em fome e miséria…

O pão de cada dia.

O pão…”

O dia 5 de Agosto de 1942 fica assinalado como um dos dias mais dramáticos do gueto. Os ocupantes nazis ordenam a Korczak que, em menos de 1 hora, reúna cerca de duzentas crianças na estação ferroviária de Umschlagplatz, donde serão enviadas para o campo de concentração de Treblinka. Janusz Korczak ofereceu-se para as acompanhar.Sabia que isso significaria a sua morte, mas que a sua presença tranquilizaria as crianças que nele confiavam.

 

Os vários relatos não são unânimes em relação aos acontecimentos daquele dia. Muitos relatos dizem que, com uma criança ao colo e outra pela mão, encabeçava esse desfile macabro em direcção à morte, de forma ordeira, só possível pela confiança absoluta que as crianças tinham nele.

Foi assassinado em Treblinka, juntamente com as suas crianças, em Agosto de 1942.

No Cemitério Judaico de Varsóvia, Korczak é homenageado numa estátua que representa a sua última viagem, acompanhado das suas crianças, em direcção ao campo de morte de Treblinka.


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